List of EAAD publications, May 2008 (PDF 59 KB)
A depressão: um grave problema de saúde pública
As perturbações depressivas (7% de prevalência semestral na população europeia [Lépine et al., 1997]) são caracterizadas pelo seu curso recorrente, muitas vezes crónico. Prejudicam a qualidade de vida dos indivíduos afectados, mais do que qualquer outra doença, e frequentemente, conduzem ao suicídio e parassuicídio. Mais de 15% dos doentes com depressão major cometem suicídio. Os índices elevados de suicídio são considerados como importantes indicadores do subdiagnóstico e subtratamento da depressão. Tendo em conta estes factos, não surpreende que num estudo recente da Organização Mundial de Saúde (Murray & Lopez, 2001) a depressão tenha sido apontada como a perturbação que nos países industrializados lidera a lista das patologias responsáveis pelo peso global da doença.
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Fig. 1: Estudo da OMS, "Peso Global da Doença", Murray & Lopez 2001
Suicidalidade
Mais de 90% dos suicídios ocorrem no contexto de doença psiquiátrica sendo que a depressão se afigura de longe como a mais significativa. Anualmente, mais de 45.000 pessoas nos países da União Europeia morrem em consequência de suicídio. Em cada hora, mais de 5 homens e mulheres cometem suicídio. Estima-se que o número de tentativas de suicídio seja 8 vezes superior aos suicídios registados. As taxas de suicídio em cada país oscilam entre os 5,92 por cada 100.000 habitantes, para a Itália, e 25 por cada 100.000 habitantes na Eslovénia (OMS, dados referentes a 2005).
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Fig. 2: Fonte OMS "Taxas Europeias de suicídio", 2005
Na maior parte dos países, o risco de suicídio é superior nos idosos do sexo masculino, e o risco de tentativas de suicídio é mais frequente nas mulheres jovens. Um estudo revelou que 40% dos indivíduos que cometem suicídio consultaram um médico nas 4 semanas anteriores à passagem ao acto suicida, sublinhando a necessidade de se empreenderem intervenções sustentadas ao nível dos cuidados de saúde primários.
Lacunas no diagnóstico e no tratamento
Apesar da disponibilidade de tratamentos efectivos (antidepressivos, psicoterapia), apenas 10% dos doentes deprimidos recebem cuidados adequados. Os motivos para o subdiagnóstico e subtratamento da depressão derivam principalmente de barreiras e défices ao nível dos profissionais prestadores de cuidados de saúde primários (e.g.: falta de conhecimentos relativamente ao diagnóstico e tratamento da depressão, subvalorização da gravidade da doença), ao nível das atitudes e crenças da população em geral (e.g.: "a depressão não é uma doença a sério" ou deve-se "apenas a fracasso pessoal") e passando também pelo próprio doente deprimido (e.g.: desesperança, falta de energia para procurar ajuda, insegurança). Dado o potencial para a optimização da prestação de cuidados dirigidos a doentes deprimidos são necessárias medidas com carácter de urgência, tanto à escala nacional como no plano europeu.
O Ministério da Saúde, através da Direcção-Geral da Saúde, é o associado português no EAAD.
Última actualização em: 19.03.2010